quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Das pesquisas eleitorais e o “voto útil”

Profª Ms. Maria Angela de L. Dummel
Mestre em Estudos da Linguagem
Especialista em marketing, publicitária.

Como é comum em todo processo eleitoral, passado o fechamento das urnas, o assunto do momento são os institutos de pesquisas que erraram e os que acertaram os vencedores da eleição antecipando (ou na tentativa de antecipar) em pesquisas de intenções de votos os resultados das urnas. Isso acontece principalmente quando um dos candidatos “surpreende” nos resultados, para mais ou para menos, como foi o caso de Aécio Neves, candidato à presidência do Brasil. A meu ver o mais importante não é saber quem “errou” ou quem “acertou” nas pesquisas, mas sim, saber o “porque errou?” e o “porque acertou?”. E para responder a essas questões, outra, mais profunda, deve ser feita: “com qual intenção”? E já que estamos a questionar, vale mais uma reflexão: para que serve uma pesquisa de intenções de votos?
Ao tentar responder a essa última pergunta, retomo, primeiramente, a origem do objeto de estudo: para que serve uma pesquisa de marketing? No marketing, aqui definido como “comercial” praticado por empresas e organizações com fins lucrativos, Malhotra (2013, p. 06) define essa pesquisa como “a identificação, coleta, análise, disseminação e uso de informações de forma sistemática e objetiva para melhorar a tomada de decisões relacionadas com a identificação e solução de problemas e oportunidades de marketing”.
Já no marketing político, que se subdivide em marketing governamental e eleitoral, a pesquisa tem sua utilidade conforme a área que a solicita. Se utilizada no marketing governamental, tem como fundamento a coleta de informações para que o governo conheça as demandas da população e trace, a partir disso, uma linha administrativa que atenda essas necessidades. É possível também mensurar o grau de aceitação/rejeição e satisfação/insatisfação do governo. Já o marketing eleitoral, que visa primordialmente a eleição de um candidato, permite uma infinidade de usos da pesquisa de opinião que vai desde a avaliação do “clima eleitoral”, passando pela definição dos temas principais da campanha até o pré-teste de peças publicitárias, dentre tantas outras funções. Aliás, o uso de pesquisas como ferramenta estratégica em campanhas eleitorais é cada vez mais frequente no Brasil já tendo alguns profissionais de marketing político se recusando a atuar em campanhas que não investirem nessa ferramenta.
Mas qual a função de uma pesquisa de intenções de votos no marketing eleitoral? Seu objetivo principal, óbvio até, é o de munir o candidato contratante da pesquisa com uma visão momentânea sobre a corrida eleitoral: quem são os principais concorrentes e qual o posicionamento de cada um nas intenções de votos. A partir daí, as estratégias para se manter ou subir nas intenções de votos serão planejadas com a equipe de marketing político. É importante frisar que é uma visão momentânea uma vez que o cenário de um período eleitoral muda com muita frequência principalmente quando fatos, como o ocorrido nestas eleições com o falecimento de um dos candidatos, alteram consideravelmente um quadro que dava como certa a reeleição da atual presidente, Dilma Roussef.
Acontece que no Brasil as pesquisas de intenções de votos extrapolaram, e muito, suas funções primárias. De acordo com o site UOL, um dos muitos que acompanharam as eleições de perto fazendo a cobertura das notícias, foram realizadas pelo Instituto de pesquisas IBOPE onze pesquisas de intenções de votos no período de 22 de maio (antes do início das campanhas eleitorais) a 04 de outubro de 2014. Destas, oito foram financiadas em parceria pela TV Globo e Jornal O Estado de São Paulo; Uma financiada só pelo IBOPE; Uma em parceria só com a TV Globo; e, finalmente, uma financiada só pela Confederação Nacional da Indústria. Nestas onze pesquisas realizadas, a candidata Dilma Roussef começa com 40% das intenções de voto, chega a ter 34% e finaliza no dia 04 de outubro com 40% novamente. Já a candidata Marina Silva começa com 29% das intenções de voto, alcança o pico de 33% e finaliza com 21% das intenções.  Aécio Neves começa com 20% de acordo com as pesquisas, cai para 15% e finaliza com 24% das intenções de voto de acordo com pesquisas do instituto IBOPE. O candidato Everaldo Pereira começou com 3% e encerrou com 1%. José Maria iniciou com1% e encerrou com 0%. Eduardo Jorge e Luciana Genro mantiveram-se com os mesmos 1% do início até a última pesquisa de intenções de voto pelo Ibope. Os candidatos Levy Fidelix, Mauro Iasi, Rui Pimenta e Eymael não pontuaram em nenhuma das pesquisas. Brancos, nulos e indecisos chegaram a 25% e finalizaram em 04 de outubro com 12%.
Não muito diferente destes índices, o instituto Datafolha também realizou onze pesquisas de intenções de voto no período de 02 de julho a 04 de outubro de 2014. Destas, nove foram financiadas em parceria com TV Globo e jornal Folha de São Paulo e apenas duas das pesquisas foram pagas apenas pela Folha de São Paulo e Datafolha. Pelas pesquisas deste instituto, a candidata Dilma Roussef estava no dia 02 de julho com 38% das intenções, chegou a cair para 34% e finalizou com 40%. No primeiro cenário com Marina Silva como candidata, pela pesquisa do Datafolha, esta iniciou com 21% em 18 de agosto, chegou a 34% e finalizou, na pesquisa de intenções de voto, com 22%. Por fim, Aécio Neves começou com 20% no dia 02 de julho, chegou a ter 14% das intenções e finalizou com 24% no dia 04 de outubro. O candidato Everaldo Pereira começou com 4%, caiu para 2% e finalizou com 1%. José Maria iniciou com 2% e encerrou com 0%. Eduardo Jorge e Luciana Genro mantiveram-se com os mesmos 1% do início até a última pesquisa de intenções de voto pelo instituto Datafolha. Os candidatos Levy Fidelix, Mauro Iasi, Rui Pimenta e Eymael não pontuaram em nenhuma das pesquisas apresentadas pelo instituto. Os entrevistados que alegaram votar em branco, nulo ou estarem indecisos chegaram a 27% e finalizaram em 04 de outubro com 9%.
Quando estes resultados são transmitidos massivamente pelos meios de comunicação, inicialmente a cada 15 dias, passando para dez dias de intervalo, sete dias e finalizando com dois dias de diferença entre uma pesquisa e outra, elas podem construir e destruir candidatos. Basta prestar atenção nas conversas em diferentes locais após a divulgação de cada pesquisa: elas se tornam o assunto do dia seja em casa, no trabalho, na escola, nos bares ou nas redes sociais (compartilhando, curtindo, comentando, “retuitando”, etc.). Com os resultados dessas pesquisas, eleitores indecisos e os que haviam dito votar branco ou nulo começam a repensar a decisão, a tomar um partido. Além disso, há aqueles que começam a se preocupar por ter escolhido, até então, o candidato que está na “lanterna” das pesquisas apresentadas. Uma parcela desses eleitores considera que votando em um candidato com poucas chances de vencer estariam “desperdiçando” seu voto e, então, migram para outro candidato com mais destaque nas pesquisas. Esta é uma das vertentes do chamado voto útil. 
O estudo científico do comportamento eleitoral é marcado, de acordo com ANTUNES (2008), por três modelos de investigação que são: o modelo sociológico (que tem como foco o estudo dos fatores sociais e suas influências no voto), o modelo psicossocial (que tem a identificação partidária como principal fator de explicação do comportamento dos eleitores) e o modelo da escolha racional (ou modelo do voto econômico) da qual faz parte o voto útil e outras variáveis racionais. Este último modelo utiliza, como referência, os estudos da economia política e busca simplificar o comportamento eleitoral por meio de uma analogia entre consumidores e eleitores: “se as empresas procuram maximizar os ganhos e os consumidores agem no sentido de maximizar a utilidade podemos, então, teorizar no sentido de que os eleitores procuram maximizar a utilidade do seu voto enquanto os partidos agem no sentido de maximizar os ganhos eleitorais obtidos com suas propostas políticas” (p.33).
Quando pesquisas apontam com frequência que o candidato “X” está em constante desvantagem na “corrida” eleitoral, este acaba sendo descartado por alguns eleitores que buscam essa “maximização” da utilidade de seu voto. Mal sabe o eleitor que aquele resultado ora apresentado como o resultado das urnas é algo momentâneo, influenciado por diversos fatores, até mesmo pelas três, cinco ou dez pesquisas anteriores que foram incansavelmente transmitidas pela mídia “indicando” o caminho pelo qual o eleitor deve seguir se quiser que seu voto realmente “faça a diferença” no processo eleitoral. E, assim, a tendência de queda acaba se concretizando no abandono real de um candidato e de um programa político que, inicialmente, poderia existir um público que concordava com o mesmo. Se não houvesse essa migração do “voto útil” a partir dos resultados apresentados pelas pesquisas de intenções de votos, o resultado final das urnas poderia realmente evidenciar uma indicação do caminho (ou caminhos) desejado pelo eleitor. Caso, após a tradicional pergunta feita nas pesquisas de intenções de voto “se a eleição fosse hoje, em quem você votaria?”, fosse questionado também se essa decisão é definitiva, talvez, parte dessa migração também fosse contida.
Mas, na medida em que muitos eleitores utilizam essas pesquisas como fonte de informação para decidir seu voto, as mesmas têm sido usadas como eficientes cabos eleitorais, com a clara intenção de indicar um “possível” caminho. Não estou nem considerando aqui a forma como a notícia do resultado da pesquisa é transmitida, que seria, para outro momento, outra fonte de análise do discurso da mídia. 
Voltando aos resultados propriamente ditos das pesquisas, é possível indicar que o candidato “X” está caindo nas pesquisas, evidenciar que o candidato “Y” está crescendo cada vez mais, enquanto o candidato “Z” está estagnado. Tecnicamente isso pode ser feito sem a necessidade de burlar ou falsificar números, basta que a maior (ou menor) parte das pessoas entrevistadas na amostra da pesquisa faça parte (ou não) dos “redutos” ou colégios eleitorais do candidato que se quer evidenciar (ou derrubar). E, no fim, não importará “quem errou” ou “quem acertou”, mas sim, com qual intenção (para beneficiar ou derrubar qual dos candidatos?). É preciso olhar nas entrelinhas de cada resultado de pesquisa divulgada: quem realizou a pesquisa? Quem pagou pela pesquisa? A qual grupo político estão ligados? São questões fundamentais.

Por fim, é importante frisar que não é apenas a pequena possibilidade de vitória do candidato ou partido inicialmente escolhido que interfere na decisão pelo “voto útil”. De acordo com Antunes (2008) outra forte variável de influência é a possível vitória de um partido político indesejado. Em suas palavras, “a decisão pelo voto útil dependerá em larga medida da importância que o sujeito der à necessidade de manter determinado partido fora do governo (p.38)”. Nesse aspecto, o candidato à presidência Aécio Neves (PSDB) aproveitou bem este argumento em seu último programa eleitoral gratuito que foi ao ar no dia dois de outubro (primeiro turno). O último quadro do seu vídeo traz em áudio e texto a frase “Aécio, o voto útil para vencer o PT”. Nas entrelinhas, o discurso sugere: ao invés de votar em outros candidatos que não têm chances de ganhar a eleição ou derrotar o Partido dos Trabalhadores, não desperdice ou “inutilize” seu voto, escolha Aécio. Nesse discurso, qualquer outro voto que o eleitor pudesse dar seria “inútil”.  E ao que parece o “voto útil” também será a tônica da campanha deste candidato no segundo turno, com a clara intenção de atingir aqueles que rejeitam o partido opositor. Nos resta aguardar para verificar como as pesquisas de intenções de votos serão apresentadas.

sábado, 27 de setembro de 2014

A propaganda nazista no marketing político atual

Já publiquei estas informações neste blog, porém, é sempre bom revisitar certos conteúdos clássicos. Em tempo de eleições é interessante registrar algumas leis e técnicas utilizadas na propaganda política nazista e comparar com o que está acontecendo ao nosso redor, nos programas eleitorais gratuitos e outros espaços ocupados pelos candidatos do atual pleito eleitoral. O hitlerismo transformou a propaganda em uma arma, utilizada indiferentemente para todos os fins. Conforme relata BARTLETT (2005), Hitler e Goebbels não inventaram a propaganda política moderna, mas a transformaram. Qualquer semelhança com o que você tem visto pelas ruas e programas eleitorais, não será mera coincidência.

1 - Lei de simplificação e do inimigo único: preocupação em simplificar ao máximo as mensagens - quase a ponto de torná-las fórmulas facilmente decoráveis (daí a importância do slogan e da palavra de ordem). Ao mesmo tempo, busca-se - a cada nova mensagem - focar apenas um inimigo. E uma das formas de simplificação que isso assume é individualizar esse adversário. Este é atacado enquanto se procura resguardar seus apoiadores, que se deseja conquistar.

2 - Lei da ampliação e desfiguração: tendência a utilizar o noticiário em proveito próprio, colocando em evidência todas as informações que possam ser favoráveis aos objetivos da propaganda. Uma citação feita fora do contexto é um exemplo de desfiguração.

3 - Lei da orquestração: a repetição de uma mesma mensagem, sob formas diferentes, ou seja, a permanência de um tema apresentado de maneira variada ilustra essa lei. Sobretudo quando a mensagem é repetida por todos os órgãos de propaganda e adaptada aos diferentes públicos. O tom e a argumentação levam em conta a natureza destes.

4 - Lei da transfusão: trata-se da tendência a identificar e explorar o sentimento popular em proveito próprio, o que se dá a partir do reconhecimento de que é mais fácil manipular a opinião pública a partir de uma base de crenças existentes do que por idéias novas. Naturalmente, os argumentos são trabalhados para servirem aos fins da propaganda política.

5 - Lei da unanimidade e de contágio: está relacionada com a tentativa de reforçar ou criar, mesmo artificialmente, unanimidades, a fim de conseguir apoios de indecisos pelo "contágio". Está ligada à tendência psicológica humana a fugir do isolamento, que leva muitas pessoas a aderirem ao que parece comum a todos.

Contrapropaganda
A contrapropaganda política, isto é, a propaganda de combate às teses de um adversário possui certas características inerentes, que são as seguintes:

1 - Busca “desmontar” os argumentos do adversário, assinalando os temas que podem ser mais facilmente combatidos por terem conteúdo lógico fraco, serem contraditórios etc.

2 – Busca atacar os pontos fracos do adversário. Esse é um preceito fundamental da estratégia da contrapropaganda: encontrar o ponto fraco do adversário e explorá-lo ao máximo.

3 – Não atacar frontalmente uma propaganda adversária quando esta se mostrar poderosa. Se as pessoas estão convencidas de algo (eventualmente por uma propaganda), é melhor partir dessa mesma opinião para combatê-la e modificá-la. Deve-se buscar ganhar a opinião alheia aos poucos, e para isso é preciso estabelecer um terreno comum de interlocução. Por isso, não se deve negar de imediato o que as pessoas acreditam ser bom, já que isso impedirá a discussão.

4 – Atacar e desconsiderar o adversário, apelando para argumentos pessoais, desconsiderando-o. A busca das contradições e aspectos que possam desacreditar o oponente é importante para colocá-lo numa posição de inferioridade

5 – Colocar a propaganda do adversário em contradição com os fatos (seja por fotos, anteriores declarações, testemunhos etc.).

6 – Ridicularizar o adversário, imitando seu estilo ou argumentação de modo a representá-lo como ridículo. E isso que faz, por exemplo, Chaplin, em O grande ditador.

7 – Fazer predominar seu “clima de força”, ou seja, tentar impor sua linguagem ao adversário e à opinião pública. Por exemplo, os líderes dos sem-terra falam em “ocupação” de terras, já seus adversários em “invasão” – e ambos os grupos tentam, através da linguagem, fazer predominar determinada interpretação da realidade.

Para ler mais sobre o assunto: 
A Propaganda Política - F. C. Bartlett
Edição Ridendo Castigat Mores
Versão para eBook
eBooksBrasil.org

http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/proppol.html#pp17

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Acadêmicos da UNIRON trazem 04 prêmios do Expocom Norte 2012


Profª Ms. Maria Angela de L. Dummel
Coord. Publicidade e Propaganda – Uniron

De 17 a 19 de maio, mais de 300 participantes, entre acadêmicos, professores e pesquisadores em comunicação encontraram-se na Universidade Federal do Tocantins (UFT), em Palmas (TO), dando início aos Congressos Regionais da Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação). No Expocom, exposição de pesquisa experimental em comunicação que acontece dentro do Intercom, cinco trabalhos de acadêmicos do curso de Comunicação Social da UNIRON participaram dessa fase regional e quatro foram considerados os melhores da região norte em suas modalidades, ganhando o troféu “capim dourado”, planta característica do Tocantins que é matéria-prima para a confecção de lindos artesanatos como biojoias, bolsas, potes, entre outros. Os vencedores em cada modalidade da fase regional estão automaticamente concorrendo ao prêmio nacional que será realizado no mês de setembro na cidade de Fortaleza (CE).

Os alunos vencedores foram: Caleb Ortiz, Hugor Felipe Ioras, Ilmar Junior, Janaína brito, Laís melo, Meronilce reis, Neuma Oliveira, Railton marreira e Rosana rosa que inscreveram no Expocom a campanha publicitária “compartilhe o bem, doe sangue” veiculada em todo o estado de Rondônia para incentivar jovens a doar sangue. Os prêmios foram para as modalidades: cartaz, jingle, filme publicitário e outdoor.  No evento de premiação os alunos Neuma, Caleb e Laís (representantes da turma) e a professora e coordenadora do curso de publicidade, Maria Angela, marcaram presença com apitos, balões e a bandeira do estado de Rondônia e nas quatro idas ao palco da UFT para receber os prêmios, faziam o trajeto de ida e volta cantando trecho do hino do estado: “(...) nós, os bandeirantes de Rondônia, nos orgulhamos de tanta beleza”. Emocionante!


O curso de Comunicação Social da Uniron tem histórico de vitórias nos Congressos da Intercom somando 20 prêmios até aqui, sendo dois nacionais. O que podemos dizer para estes incansáveis acadêmicos que enfrentam a distância geográfica e o cansaço físico e intelectual para compartilhar conhecimentos? Só nos resta entoar em coro: “(...) nos orgulhamos de tanta beleza”.   

quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia da Mulher? Dia de luta!

“SONHEI SONHOS QUE NÃO VIVI”

Maria Angela de Lima Dummel
Profª Ms em Estudos Culturais/publicitária


A comemoração ao Dia Internacional da Mulher puxa a fila das mais diferentes mensagens nas caixas de emails, na publicidade televisiva, redes sociais, dentre outros meios. Mensagens lindas, emocionantes, tocantes. Mas será mesmo que cada mulher que recebe estas homenagens sabe o porquê desta data? E o que ela realmente significa na vida de cada uma de nós? Algumas, nem fazem questão deste dia. O espaço é curto, mas vale a pena lembrar que esta não é mais uma data para o consumo ou para desencargo da consciência masculina. Esta é uma data para lembrar-se de mulheres que lutaram por liberdade em todos os sentidos.
Vito Giannotti, em seu belíssimo artigo “O Dia da Mulher nasceu das mulheres socialistas” descreve a origem desta data e, principalmente, mostra como foi derrubado o mito de que a comemoração refere-se à história de uma greve, que teria acontecido em Nova Iorque, em 1857, na qual 129 operárias morreram depois de os patrões terem incendiado a fábrica ocupada. Esta greve nunca existiu.
Na verdade, em 1910 na Dinamarca, na 2ª Conferência Internacional das Mulheres Socialistas organizada pelo Partido Socialista, foi proposta a realização anual do Dia Internacional da Mulher em busca de um ideal: “a luta por um mundo novo sem exploração e opressão do homem pelo homem e especificamente da mulher pelo homem”. A data ficou para ser definida em cada país.
Ainda segundo Giannotti, em 1917, durante a Guerra Mundial, as mulheres socialistas da Rússia comemoraram sua data em 23 de fevereiro pelo calendário russo, que correspondia ao dia 08 de março no calendário ocidental. E foi nesse dia que explodiu uma greve das tecelãs e costureiras de Petrogrado. Contrariando as decisões do Partido, que acreditava não ser o momento ideal para uma greve, aquelas mulheres declararam greve e saíram às ruas, pedindo por pão e paz. Este foi o estopim para a Revolução Russa. E a partir daí, a data 8 de Março foi definida como a data das comemorações da luta das mulheres.
De lá para cá, não só a verdadeira e linda história sobre a comemoração do Dia da Internacional da Mulher caiu no esquecimento, como também o seu real significado. Sabemos que ainda temos muito a lutar por espaço, respeito, direitos e oportunidades. E, principalmente, contra a violência física, psicológica e moral. Mas é bom saber também que caminhamos para isso. Em São Simão - Goiás, no dia 11 de fevereiro de 2009, aconteceu o julgamento do homem que torturou psicologicamente por sete anos e matou minha irmã a pancadas, em 2003. Foi condenado a 19 anos por homicídio triplamente qualificado, a maior pena que aquela pequena cidade já viu. Apesar da dor de pensar nos sonhos que ela, com apenas 31 anos, sonhou e não viveu, é um alento sentir que a justiça mostrou seu real comprometimento. Essa resposta precisa ecoar e repercutir em todas as famílias que sentem na carne a crueldade contra a mulher. Portanto, 08 de março é, antes de tudo, uma data para reflexão e ação. 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Heineken e Facebook firmam parceria global de Marketing

Rede social fornecerá soluções para que a cervejaria crie ações de relacionamento, a partir do conhecimento e da experiência sobre os milhões de internautas cadastrados no site

Por Sylvia de Sá, do Mundo do Marketing | 08/12/2011

sylvia@mundodomarketing.com.br

O Grupo Heineken continua investindo fortemente em ações de Marketing para fortalecer a atuação de suas marcas em todo o mundo. A companhia fechou uma parceria global com o Facebook, que fornecerá à Heineken uma plataforma de Marketing para alcançar os 800 milhões de internautas presentes na rede social mundialmente.

O acordo também permite que a cervejaria tenha acesso aos produtos mais recentes do Facebook, podendo usar os conhecimentos e a experiência do site na construção de relacionamentos de longo prazo entre as marcas e seus públicos.

Atualmente, a fan page da marca Heineken conta com mais de 4,6 milhões de usuários adultos. Duas das outras cervejas importantes do portfólio da empresa holandesa, Kingfisher e Dos Equis, também estão entre as sete principais da categoria com o maior número de fãs.

Na última segunda-feira, dia 5, a cervejaria lançou o portal United Beers of the World, com informações sobre marcas como a holandesa Amstel Pulse, a italiana Birra Moretti e as irlandesas Murphy’s Irish Stout e Murphy’s Irish Red.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Conhece os medos dos diretores de marketing?


Gostei muito desse post, confira:


A revolução no marketing já chegou, com os tablets, Facebooks, Youtubes e outras plataformas digitais. Mas estudo da IBM revela que marketeers ainda não estão preparados.

Mário Lino (www.expresso.pt)
12:20 Quinta feira, 20 de outubro de 2011




Adaptação aos media sociais e novas plataformas de comunicação são desafios do séc. XXI para os marketeers.
Adaptação aos media sociais e novas plataformas de comunicação são desafios do séc. XXI para os marketeers.
Um novo estudo da IBM revela que a maioria dos executivos de topo, do mundo do marketing, reconhece uma mudança fundamental e permanente na forma como se envolvem com os clientes, mas admite que as organizações de marketing não estão ainda preparadas para gerir essa mudança. Ao mesmo tempo, a pesquisa que envolveu mais de 1.700 diretores de marketing de 64 países e 19 sectores mostra que os critérios utilizados para avaliar as estratégias de marketing estão a mudar. 
Quase dois terços dos CMO's (Chief Marketing Officers - Diretores de Marketing) acham que o retorno sobre o investimento (ROI) em marketing será a principal medida de eficácia da sua função em 2015. No entanto, mesmo entre as empresas mais bem sucedidas, metade deles ainda não se sentem suficientemente preparados para fornecer números concretos.
E a maioria desses executivos - responsáveis pelo marketing integrado de produtos da sua organização, serviços e reputação da marca - dizem que falta uma influência significativa em áreas-chave como o desenvolvimento de produtos, preços e seleção de canais de vendas.
O estudo da IBM revela que enquanto 82% dos CMO's planeiam aumentar o uso dos media sociais ao longo dos próximos três a cinco anos, apenas 26% rastreiam atualmente blogs. Quarenta e dois por cento seguem opiniões de terceiros e 48% seguem opiniões de consumidores para ajudar a moldar as suas estratégias de marketing. "O ponto de inflexão criado pelos meios de comunicação social representa uma mudança permanente na natureza das relações com os clientes", afirma Carolyn Heller Baird, diretora global do estudo, que lidera pesquisas para o IBM Institute for Business Value. 
"Aproximadamente 90% de todas as informações em tempo real que são criadas hoje são dados não estruturados. Os CMO's que consigam aproveitar essa nova fonte com discernimento estarão numa posição forte para aumentar as receitas, reinventar o relacionamento com os clientes e criar mais-valias", acrescenta.


Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/conhece-os-medos-dos-diretores-de-marketing=f680374#ixzz1bPthFORm

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Gerenciamento de marca só para aquecer...

Início de novo semestre. E agora em dupla jornada: professora e coordenadora do curso de Publicidade e Propaganda da UNIRON. Muitos desafios à frente. Ontem, em substituição à nova professora da disciplina de gerenciamento de marca, dei uma introdução ao assunto.


COMO SE DIFERENCIAR? Diante de
 Produtos com o mesmo nível técnico de qualidade;
Preços aproximados ou iguais;
Canais de distribuição praticamente os mesmos;
Investimento em comunicação semelhantes .



       Valorização da marca é a resposta. 
         Ao adquirir um produto, o consumidor não compra apenas um bem. Ele compra todo o conjunto de valores e atributos da marca.  Ela passa a significar não somente  o produto real, mas incorpora um conjunto de valores e atributos tangíveis e intangíveis que contribuem para diferenciá-la daqueles que lhe são similares.

E você? Sabe gerenciar sua marca pessoal? Segue teste retirado da revisa VOCÊ s.a. 

1 ) Procuro estar a par do valor de mercado da minha atividade profissional.
• às vezes.
• regularmente.
• sempre.

2 ) Gosto de me relacionar com profissionais de outras áreas e me sinto confortável com esta convivência
• às vezes.
• regularmente.
• sempre.


3 ) Possuo um plano de desenvolvimento de minha carreira para os próximos cinco anos.
• às vezes.
• regularmente.
• sempre.

4 ) Estou plenamente consciente de que o meu trabalho é importante para a empresa em que trabalho.
• às vezes.
• regularmente.
• sempre.


5 ) Procuro estar sempre atento à melhoria de meus conhecimentos, postura profissional e aparência pessoal.
• às vezes.
• regularmente.
• sempre

6 ) Possuo vários formatos de currículo, adequando-os à melhor comunicação com quem vai recebê-los
• às vezes.
• regularmente.
• sempre.

7 ) Conheço profundamente minhas habilidades e deficiências profissionais. Procuro evidenciar as primeiras e melhorar as segundas.
• às vezes.
• regularmente.
• sempre.

8 ) Procuro manter contato com empresas de recolocação ou head hunters para não
  perder oportunidades profissionais.
• às vezes.
• regularmente.
• sempre.

9 ) Revejo periodicamente meu currículo, para atualizá-lo e torná-lo criativo
• às vezes.
• regularmente.
• sempre.

10 ) Investigo quais as necessidades do mercado profissional para procurar ser competitivo
• às vezes.
• regularmente.
• sempre. 

Gabarito: Marque para cada questão uma nota
•1 ponto- às vezes.
•2 pontos- regularmente.
•3 pontos- sempre.

1 a 10 pontos.
Você ainda não despertou para a importância de vender sua imagem profissional. Desta maneira não se expõe ao mercado de trabalho e tende a ser preterido, às vezes, por alguém menos capacitado porém com maior desenvoltura na auto divulgação. Tente encarar sua carreira como um negócio que necessita de investimento.
11 a 20 pontos.
Você já despertou para a importância do marketing pessoal, mas está no início do trabalho. Procure expor-se mais. Não tenha medo de competir e abrir-se para as oportunidades que se apresentam. Procure divulgar suas vitórias e habilidades e não descuide-se de sua aparência pessoal e de seu currículo.
21 a 30 pontos.
Você encara sua carreira como um negócio e investe nela. Sabe como divulgar seus potenciais e interesses e tem controle dos resultados atingidos. No entanto deve agora passar para a Segunda etapa, que consiste em estratégias para manter sua posição. Não descuide de suas deficiências e cultive habilidades de liderança.




Qual é a sua marca pessoal?
Se você fosse definido em apenas uma palavra, qual seria ela? Faça esta pergunta ao seu círculo social de relacionamento e veja os resultados. 
                                                              
                                                              SERÁ QUE É HORA DE REVER 
A SUA IMAGEM DE MARCA?





domingo, 22 de maio de 2011

"Não vamos falar da situação precária da nossa educação?"

Desabafo da profª Amanda Gurgel

Me emocionei com a calma da professora Amanda Gurgel ao expor, sinteticamente, todas as angústias às quais ela e todos os colegas professores do Brasil estão expostos neste país. É de embrulhar o estômago. Como no post que publiquei em outubro de 2009 "PROCURAM-SE PROFESSORES" sobre o apagão escolar brasileiro, não poderia deixar de postar aqui o vídeo que já está circulando pela rede via emails, twitters, youtube e etc...que as redes sociais sirvam para dar visibilidade ao que já está mais que visível, mas apenas o governo e os seus secretários de educação teimam em não olhar.
Em nenhum governo, em nenhum momento, a educação foi uma prioridade neste País. E só cabe a nós revertermos este quadro. Comece divulgando o movimento 10% do PIB para a educação já. A intenção do governo é investir ATÉ 2020 apenas 7%.    


sexta-feira, 13 de maio de 2011

SEU NOME É SUA MARCA. Em tempos de redes sociais, já é hora de rever sua imagem?

Por Maria Angela de L. Dummel*

Como encerramento da 1ª Jornada de Comunicação Social, realizada pela faculdade Uniron/Porto Velho-Ro, tivemos o prazer de receber dia 06 de maio o jornalista e diretor do Comunique-se, Cássio Politi, com a palestra “Tendências da comunicação online”. Entre estatísticas e comportamentos dos usuários da web (não se restringindo a jornalistas e publicitários), uma frase, para mim, resumiu a excelente palestra sobre a comunicação online: “você é o que você escreve”. Prova disso foi o burburinho geral na plateia quando Politi ressaltou que atualmente os Recursos Humanos de grandes empresas não se prendem apenas a currículos e entrevistas para seleção de novos funcionários. As ferramentas atuais envolvem, também, as buscas na internet, mais especificamente nos perfis distribuídos com certa negligência pelos candidatos em twitter, facebook, orkut e blogs.

Refletindo sobre esta nova realidade, pergunto: os usuários dos sites de redes sociais percebem a real dimensão do fato de que, uma vez na web, “tudo o que você disser pode e será usado contra você no tribunal”? Tendo em vista as diversas gafes que acompanhamos nestas redes, principalmente no twitter, que é a bola da vez, essa percepção ainda é algo distante. E assim, outra discussão vem à tona: até onde é possível separar o pessoal do profissional? A resposta é simples: não dá! Então acabamos entrando em outro campo: o marketing pessoal. Se você é o que você escreve nas redes sociais, e se o seu nome é a sua marca, como muitos especialistas em marketing afirmam, cuidado. Pode ser que já esteja na hora de rever a imagem da sua marca.

Em suas obras, Philip Kotler resume Marketing como sendo um conjunto de ações estratégicas planejadas por uma organização para que esta não só sobreviva, mas também tenha uma vantagem competitiva no mercado. Para Max Gehringer, administrador e consultor de carreiras, “é o conjunto de ferramentas que uma empresa usa para fazer com que seus produtos sejam conhecidos, apreciados e comprados”.

 
Marketing pessoal, por sua vez, é a utilização das ferramentas oriundas e adaptadas do marketing organizacional em benefício da própria carreira. Envolve todos os cuidados, atitudes e comportamentos que direcionam uma carreira profissional para o sucesso. Saber quais são e como utilizar estas ferramentas na gestão de imagem e planejamento da carreira pessoal é o que vai diferenciar um bom profissional de outro. E tudo isso começou quando o nível dos candidatos ao mercado de trabalho começou a se igualar, chegando à realidade atual – mercados cada vez mais competitivos.

Voltamos, assim, ao uso indiscriminado das redes sociais, com participações em sua maioria inúteis (apenas para dizer “eu tenho um perfil no twitter”, por exemplo), exposição demasiada de imagens pessoais que talvez não devessem existir nem escondidas no fundo de gavetas do guarda-roupa, a utilização dessas mídias para deturpar informações comprometendo a própria vida pessoal e profissional, além de atingir terceiros (o que pode acarretar sérios processos judiciais).

Em suma, se na “vida real” você faz de tudo para construir uma boa imagem profissional, preste atenção em suas ações e textos da “vida virtual”. Que imagem você está passando hoje? Lembre-se a todo instante que você está conectado ao mundo. Seu pensamento e imagens, uma vez expostos na internet, se eternizam. E sempre haverá alguém interessado em saber um pouco mais sobre você, utilizando como primeira fonte seus rastros na web.


*Maria Angela de Lima Dummel é mestre em Estudos Culturais, Especialista em marketing e Publicitária. Profª do curso de Comunicação Social – UNIRON.



sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Alunos da disciplina Redação Publicitária criam campanha para incentivar a doação de sangue

Profª. Ms. Maria Angela de Lima 

É com muito orgulho que apresento a campanha “Uma atitude. Uma vida”, título da campanha publicitária desenvolvida pelos meus alunos da disciplina Redação Publicitária II na Uniron. Baseada na solidariedade, as peças publicitárias serão veiculadas no período de 20 a 25 de novembro em Tv, rádio, internet e contam com outdoors, cartazes, panfletos, folders, banners, faixas, filipetas e ações promocionais em pontos da cidade e empresas da capital. Além disso, também foram criados blog (salvevidasro.blogspot.com) e perfil no twitter (www.twitter.com/doevidasro) para a divulgação de mais informações sobre a campanha, as ações, e principalmente, sobre o ato de doar sangue.
A campanha envolvendo 14 alunos do 4º período de publicidade da Uniron, que assinam o projeto desde a concepção até a execução das ações, foi idealizada como projeto de extensão sob minha coordenação para a disciplina Redação Publicitária II. O objetivo era incentivar a conexão da aprendizagem acadêmica do aluno com a experiência do trabalho profissional e propiciar a formação de um cidadão comprometido com o desenvolvimento da sua comunidade.
Se é doador, nos ajude. Se não pode ser, passe adiante para sua comunidade. Nossa meta é conseguir 1500 doações até dia 25/11 - dia Mundial do Doador de sangue. Ao doar, comunique ao Fhemeron que foi incentivado pela campanha dos alunos do 4º Período de Publicidade da Uniron. São os primeiros passos desses jovens no mercado publicitário de Porto Velho...e por uma boa causa. Incentive!
Confira algumas peças da campanha:





Direção de arte: Aelson 
Textos e assessoria de imprensa: Rosana, Neuma e Lais
Ações: Thainná, Gabriela e Merô
Tráfego: Janaína e Hugor
Patrocínio: Nice e Railton
Vídeo: Maria Luisa e Duana
Coordenação: Melina
Coordenação geral: Profª Maria Angela
Apoio e agradecimentos: Ibernon Nunes (locutor do spot); José (animação do fullbanner); Junior (edição do VT); Digiplay (áudio para VT); Depto. de Marketing Uniron; Profª Andreia Gonzales; Profª Aline; Profº Jackson; e todas as empresas e pessoas que direta ou indiretamente contribuíram para a efetivação da campanha. 
E, principalmente, obrigado a todos os que foram tocados pela campanha e salvaram até 4 vidas por meio da doação de seu sangue.


terça-feira, 28 de setembro de 2010

A falta de mão de obra na área digital

Crescimento robusto da publicidade online vem acompanhado de grandes dificuldades para contratar

Por Mariana Ditolvo
21 de Setembro de 2010 às 10:52
http://www.mmonline.com.br


Os números do Projeto Inter-Meios mostram que a internet é o meio que mais cresce seu faturamento publicitário no Brasil nos últimos anos. No primeiro semestre de 2010, o salto foi de 36,7% frente ao mesmo período do ano passado, totalizando R$ 539,2 milhões, o que lhe dá uma fatia de 4,3% do bolo nacional. As perspectivas para o futuro nem de longe passam por queda ou estabilidade, uma vez que o amadurecimento da internet vem atraindo novos anunciantes e verbas cada vez mais robustas daqueles que já têm como prática a utilização do meio.

Ao mesmo tempo em que esse cenário é celebrado, porém, um problema assola o mercado digital: a escassez de profissionais que dominem ou estejam comprometidos em desbravar o universo da publicidade online. Segundo Luciana Bastos, diretora da área voltada ao recrutamento digital da The Talent Business, os problemas para contratação estão em todas as disciplinas e abrangem os mais variados níveis de experiência, sendo que os cargos que exigem maior maturidade apresentam demanda mais latente.

Apesar disso, Luciana vê como positivo e inevitável o aumento de jovens profissionais na cadeia digital. Para ela, é preciso apenas que as agências e outros empregadores passem a investir pesado em capacitação para formar líderes no médio prazo. Sua opinião é compartilhada por César Paz, presidente da Associação Brasileira das Agências Digitais (Abradi) e da AG2 Publicis Modem. “As agências digitais crescem, em média, 30% ao ano. Não há desemprego nesse setor, sendo que qualquer agência de médio porte tem entre 10 e 15 vagas em aberto. Nesse cenário, a rotatividade é inevitável e alterá-lo exige menos apelo salarial e mais propostas diferenciadas de projetos e desafios”, acredita Paz.

Para Vinícius Reis, CEO da Euro RSCG 4D Brasil, a falta de equilíbrio entre competência e salário vem se tornando o grande desafio para a ampliação de sua equipe. “Carrego comigo a pesquisa da Abradi sobre cargos e salários para ter coerência na hora de contratar. O problema é que, com frequência, não consigo me distanciar dos valores máximos impressos no levantamento”, conta. “Trata-se de um círculo vicioso em que os seniores são muito valorizados e escassos, o que acaba encarecendo toda a cadeia com profissionais intermediários e juniores. Isso acarreta em uma dificuldade até mesmo para recrutar gente nova e formar mão de obra”, acrescenta Reis.

Sobram oportunidades

Arquitetos de informação, programadores, gerentes de projetos, analistas de search marketing. Para todos esses cargos existem demandas não atendidas. No entanto, entre os inúmeros postos que sofrem com carência de mão de obra especializada, a bola da vez no mundo online é o profissional dedicado ao planejamento.

“Uma pessoa capaz de pensar a comunicação de maneira estratégica mesclando visões dos mundos on e off-line, mas tratando o digital como centro da comunicação está muito difícil de encontrar. Além disso, o mercado digital precisa cada vez mais de profissionais apaixonados pelos problemas do cliente e que estejam preparados para pensarem suas carreiras no médio prazo”, acredita Fabiano Coura, diretor de planejamento da R/GA.

Para o executivo, existe ainda uma quantidade razoável de profissionais empregados e não satisfeitos com o que fazem. “Encontrar essas pessoas que, no geral, são movidas pelo desafio e pela vontade de fazer o mercado evoluir pode ser uma fórmula de sucesso diante desse cenário”, afirma. 

Outra agência de renome internacional recém-chegada ao mercado nacional, a Razorfish está em constante processo de busca por mão de obra. Para Fernando Tassinari, diretor geral da operação brasileira, porém, as dificuldades em encontrar profissionais ainda não têm sido alarmante a ponto de fazer a “roda travar”. “Fazemos as escolhas muito baseadas em indicação. Claro que os processos de recrutamento não são rápidos e precisam ser bem pensados, mas estamos também dispostos a desenvolver os talentos que aparecem”, conta Tassinari. 

De acordo com Ari Meneghini, diretor executivo do IAB Brasil, todos os dias a entidade recebe ligações de pessoas em busca de recomendações para vagas em aberto. “Anunciantes também estão em busca de pessoas para fazerem a interface com as agências digitais e que entendam o mercado. Isso também vem aumentando a concorrência por talentos”, comenta Meneghini. 

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Marketing: marcas são esculturas de significado

Este artigo completa muito o que eu penso sobre os profissionais de marketing. Não pude deixar de copiá-lo para cá. Saboreiem!  bjs da Marry;)


Por Fernando Jucá (Diretor Associado do Grupo Troiano de Branding)
Fonte: Mundo do Marketing (www.mundodomarketing.com.br)
18/06/2010

Profissionais de marketing são gerentes de significado, trabalhando com esculturas de significado que naturalmente os consumidores estão aptos a produzir
Em que consiste, na sua essência, a função do profissional de marketing? Se você repetir essa pergunta - como eu já fiz - para diversos executivos que atuam na área, provavelmente vai encontrar respostas bastante divergentes. Na literatura acadêmica as respostas também são múltiplas e, não raramente, geram mais confusão do que explicam. Mas uma pergunta desta importância não pode ficar sem uma resposta clara. Para encurtar a história, decidi investigar essa questão.
A proposta mais interessante que encontrei foi, para minha surpresa, a de um antropólogo, o americano Grant McCracken. Ele sugere – absolutamente não de forma inédita, mas de modo bastante assertivo – que profissionais de marketing são, em essência, “gerentes de significado”. Crescimento de market share, resultados financeiros positivos... o sucesso deste executivo é sempre diretamente ligado à eficácia com que ele constrói significado para marcas.
E então McCracken acrescenta que significados não são criados do nada, eles têm sua origem na cultura: o conjunto de crenças, valores, comportamentos e instituições que organizam a vida em sociedade. É nesta preciosa fonte que bebem os profissionais de marketing, buscando significados que são então gerenciados para agregar valor a um determinado produto ou serviço, construir marcas e retornar posteriormente para a vida do consumidor.
Faz sentido para você? Para mim fez. Tanto que continuei navegando nos mares da antropologia e constatei que diversos autores escreveram sobre as operações mentais que pessoas, vivendo em sociedade, naturalmente fazem para atribuir significados, e portanto valor, a coisas ou objetos (ou, se você preferir, produtos). Sempre comparando os resultados desta investigação com o que efetivamente acontece no universo das marcas, comecei a catalogar essas diferentes, e “ancestrais”, operações mentais e finalmente as organizei em 12 tipos.
Claro, não pretendo que esta lista seja exaustiva e definitiva. Espero sim que ela seja fonte de inspiração. Pois acredito que é da profunda compreensão das motivações envolvidas nestas “naturais esculturas de significado humanas” que nasce o talentoso profissional de marketing. Note bem que em cada uma destas “esculturas” o tangível não muda, ou pelo menos, não necessariamente. O que é esculpido e modelado são os significados atribuídos à coisa material:
1. De “coisa” para... “Amuleto”
Operação mental em que é atribuído um “poder mágico” a determinado objeto. Exemplo ouvido recentemente de um jovem: “nossa, com este tênis parece que sou capaz até de voar...”
2. De “coisa” para... “Ingresso”
Objeto cuja posse culturalmente passa a implicar, ou ao menos facilitar, a aceitação em um desejado grupo social, mesmo que não formalmente constituído. Exemplo: ser assinante de determinada revista contribui para que o consumidor seja percebido como um “intelectual”.
3. De “coisa” para...“Personagem”
Operação mental em que o objeto ganha significado e valor ao passar a fazer parte do enredo da vida da pessoa, como um personagem. Exemplo: o cartão de crédito que esteve comigo em todas as fases da minha vida.
4. De “coisa” para...“Caça”
Operação em que significado e valor são atribuídos ao objeto em razão de características do próprio processo de busca e aquisição. Exemplo atual: “itens de coleção, quando até uma simples figurinha ganha um valor inestimável”.
5. De “coisa” para...“Ponte”
O objeto ganha significado quando culturalmente se torna uma ponte para aproximar pessoas e facilitar a interação social. Esta ponte pode ser “física”, quando, por exemplo, a coisa se torna um presente, ou “emocional”, quando a ponte surge de um tema de interesse comum que o objeto desperta. Exemplo: uma camiseta com ilustrações inspiradas em um filme ou programa de TV.
6. De “coisa” para...“Autêntico” Normalmente, operação mental que acontece no vetor temporal: objeto ganha significado ao se tornar um representante fiel de iniciativa ou momento valorizado do passado. Exemplo pessoal: o “baleiro” que orgulhosamente exibo na minha sala.
7. De “coisa” para...“Exótico”
Operação mental que navega no vetor espacial: objeto ganha valor quando passa a representar outras culturas ou pontos de vista. Exemplo: um vaso com motivos africanos.
8. De “coisa” para... “Troféu”
O que se torna escasso ou limitado, inclusive por meio do preço, ganha significado ao delimitar territórios sociais. Exemplos proliferam no mercado de luxo.
9. De “coisa” para...“Saber”
Objeto que também passa a delimitar territórios sociais, só que principalmente em função do conhecimento demandado para sua utilização e fruição. Exemplo obrigatório: uma garrafa de vinho.
10. De “coisa” para...“Bandeira”
Objeto que se torna símbolo de um desejo humano maior, como liberdade, amor, mudança ou a pátria. Exemplo antológico: uma motocicleta Harley-Davidson.
11. De “coisa” para...“Arte”
Objeto que passa a ser descrito como exemplo da inventividade humana e da nossa capacidade de transcender o meramente biológico. Exemplos abundam na gastronomia: “isto não é comida apenas, são pepitas de chocolate trufado”.
12. De “coisa” para...“Sagrado”
Objeto cujo significado mais evidente é transferido de outra pessoa, não raramente uma celebridade, que detinha a posse anterior da coisa ou que se envolveu na sua produção e consumo. Exemplo: o “perfume de Antonio Banderas”.

Em resumo: profissionais de marketing são gerentes de significado, trabalhando com esculturas de significado que naturalmente os consumidores estão aptos a produzir. Em certo sentido, nós não inventamos nada. Construímos significado quando gerenciamos eficazmente – estimulando e compartilhando com consumidores - um processo que é fundamentalmente humano.